“Paliativo”, do latim, significa manto, também pode ser aquilo que possui a capacidade de acalmar temporariamente algo, como por exemplo, uma dor.A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como cuidados paliativos aqueles que procuram atender as necessidades de pacientes terminais. Tais cuidados buscam aliviar dores, dar suporte psicológico, espiritual e familiar.
O que fazer quando é dado o diagnóstico de doença terminal? São poucas opções para o paciente sem chances de cura: ele pode permanecer no hospital e ser reduzido a uma sigla: “RHD” – “Regime Higiene-Dietético” (em outras palavras, “banho e comida”); ou voltar para casa, onde não terá assistência e irá esperar por sua morte.
Não há mais o que fazer pelo paciente. No entanto, alguns médicos apelam para procedimentos invasivos e dolorosos, buscando prolongar a vida a qualquer custo. É nessa hora que os médicos paliativistas podem entrar em ação. Ao invés de prolongar a vida sem qualidade, esses médicos podem garantir ao paciente uma morte sem dor física, com os sintomas da doença controlados e rodeado por aqueles a quem ama. Nem antecipar a morte nem esticar a vida, mas garantir que se viva até o fim com dignidade, essa é a visão do profissional da área.
As primeiras práticas de cuidados paliativos surgiram na década de 60, em Londres, onde a enfermeira Cecily Saunders criou um hospice (do francês, hospedagem, hospitalidade), para cuidar de doentes que não podiam ser curados. Somente em 1990, que a OMS reconheceu e recomendou a prática.
No Brasil, a primeira clínica a oferecer esse tipo de atendimento foi criada em 1983, em Porto Alegre. Hoje, com 31 pontos de atendimento no país (13 no Estado de São Paulo), o Ministério da Saúde prepara-se para publicar uma portaria com diretrizes para esse modelo de assistência.
Os pacientes desses centros vão aumentando a medida que se perde o preconceito, o medo da morte. Ao invés de “tentar tudo”, esses pacientes optam por viver – por dias ou semanas – com qualidade. Nesse meio tempo podem fazer uma viagem adiada a tempos, comer no restaurante preferido, rever filmes ou apenas beijar quem se ama. Diante da impossibilidade de cura, cabe ao médico um papel muito mais complexo: ele deve cuidar. Maria Goretti Salas Maciel, presidente da Academia Brasileira de Cuidados Paliativos, em entrevista à Revista Época, diz: “Olhamos para a pessoa inteira, e não para uma parte do seu corpo. Precisamos entender não só sua situação clínica, mas suas emoções, suas dificuldades. É preciso entender sua história para ajudá-la a viver a vida da melhor forma possível. Na Enfermaria, a morte é um parto do lado avesso: as médicas são parteiras que, em vez de esperar o tempo de nascer, respeitam o tempo de morrer”.
Para atender às múltiplas necessidades desses pacientes, o Ministério da Saúde prevê a criação de mais enfermarias de Cuidados Paliativos nos hospitais. Atualmente, cada enfermaria conta com uma equipe de médicos, psicóloga, enfermeiras, assistente social, fisioterapeuta e, quando o hospital dispõe, um padre. Cada leito é individual e tem duas camas, uma para o paciente e outra para os visitantes. O processo é vantajoso tanto para o paciente quanto para sua família. Nesse meio tempo, a família começa a aceitar a doença e entende que agora, mais do que nunca, o parente precisa de amor e carinho. E o enfermo consegue viver seus últimos dias da melhor maneira possível, ou seja, com dignidade.

Para saber mais sobre o assunto:
- Reportagem da revista Época
- World Health Organization (em inglês).
- Ministério da Saúde
Imagens da Galeria da Revista Época.
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